terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ano novo, máquina fotográfica nova

Não posso dizer que 2010 me tenha começado de feição.
No dia 1 trabalhei logo 24h! É claro que mal saí do trabalho, no dia 2 às 8 da manhã, fui-me encontrar com os meus amigos do costume para ir à pesca! Como o encontro estava marcado para uma hora antes de sair do trabalho, já que ia chegar atrasado aproveitei para ir comprar uns pães ainda quentinhos para o habitual manjar ao fim da jornada de pesca. Em seguida, ainda perdi mais uns 10 minutinhos para ir mudar de roupa e pegar no material.
Chegado ao pesqueiro, ainda ninguém se tinha estreado (e assim acabamos todos a jornada), mas mesmo assim estava com uma grande fezada! Lancei, lancei, lancei... corriquei, corriquei, corriquei... e nada! Pelo meio de tantos lançamentos ainda tive umas aulas de como localizar e apanhar polvos, dada pelo meu amigo "Rei" João - um mestre na arte! Foi muito engraçado ver a perspicácia e jeito do artista! Melhor ainda foi ver que a vontade de apanhar os pequenos polvos (a maioria que vi) tinha o intuito de privar os prevaricadores vários que se encontravam nas redondezas de exterminar bébés indefesos! O meu amigo João ainda apanhou uns 4 ou 5 polvos que lançou para bem longe no mar. Pelos menos por umas horas ficaram a salvo do maior predador... Foi também uma terapia para uma das minhas fobias - a de tocar nestes octópodes! Desde tenra idade que a tinha, resultante de um dia de pesca com um encontro imediato com um polvo já grandinho que me lançou os seus tentáculos enquanto apanhava bicha de mar com o meu pai. Graças ao meu amigo João, que colocou um pequeno polvinho na palma da minha mão, tive o previlégio de o soltar e simultaneamente abrir mão de um medo que se provou não fundamentado.
Em seguida, e porque a maré estava a vazar e era bem viva por sinal, avançamos pelas pedras mar dentro. Voltamos a lançar, a corricar, a mudar e mudar de amostras, mas definitivamente ou os robalos não andavam por lá, ou se andavam estavam de bucho cheio (polvo não faltava!)... Eu e o meu amigo João ainda pescamos na "reponta" e durante a primeira horita de enchente e só desistimos quando o nosso amigo Cascão esbracejava ao longe na areia a chamar-nos para comermos as famosas morcelas do Cabé. E claro está, faltavam os meus pães fresquinhos para as aconchegar!
Demos a pesca por terminada e apesar da grade, tinhamos registado para a posteridade vários momentos dessa manhã na minha máquina fotográfica. É sempre um prazer chegar a casa e revivê-los e poder partilha-los com quem mais gosto! Esta manhã não foi assim... mas adiante!
Chegado ao carro, toca a abrir a mala. Retiro do bolso do impermeável a chave do carro e a máquina fotográfica dentro da sua bolsinha. Pouso a máquina no tejadilho e abro a mala. O resto parece-me já bastante previsível... arrumei a "tralha", mudei a roupa molhada, comi e confraternizei e... esqueci-me que tinha pousado a máquina no tejadilho... arranquei e... era uma vez uma máquina!
Só muitos minutos mais tarde, já em casa, quando orgulhosamente me preparava para mostrar à minha mulher que tinha acabado com a minha fobia de polvos, me apercebi do sucedido. Tarde demais! Ainda procurei na roupa molhada, depois virei o carro do avesso, liguei aos meus amigos e só depois reconstitui mentalmente o esquecimento fatídico.
Fiz o caminho desde casa à praia, primeiro de carro e depois a pé (felizmente não era longe!). Parei nas lojas todas pelo caminho para saber se alguém tinha encontrado uma máquina fotográfica. O resultado manteve-se... Paciência!
O que mais me custa é não ter "backup" do cartão de memória! As memórias fotográficas daquela bela manhã entre amigos! E não só! Das fotografias do 2º aniversário da minha filha! As fotografias do Natal!
Afinal, o valor material daquela máquina não é nada quando comparado com o valor sentimental daquele cartão de memória!

Entretanto já encomendei outra igual, desta vez azul - a cor do mar, do céu, a minha cor! Pode ser que tenha melhor sorte!

Esta história que parece banal deu-me algumas grandes lições: a primeira, que se deve passar as fotografias do cartão de memória para local seguro regularmente; a segunda e bem mais importante, que as fotografias são algo bem pessoal capaz de expressar a nossa visão de um determinado local e momento para a posteridade; são registos físicos, palpáveis se assim entender-mos, dos sentimentos de um instante; a possibilidade de prolongarmos ou até eternizarmos uns segundos da nossa vida. Esta constatação foi o que mais me doeu... senti que me tiraram emoções, que agora ao relatar o sucedido sinto que foram recuperadas pelas palavras!

Pensando melhor, acho que 2010 até me começou bem de feição! Pude ir pescar com os meus amigos logo no segundo dia do ano! Tenho saúde e tenho a felicidade de ter familiares e amigos com saúde! E tenho uma máquina fotográfica nova (e ainda por cima azul) a chegar a casa! O que quero mais?


Quero esta fotografia tirada pelo meu Amigo Orlando que relata parte do que descrevi.


Obrigado Orlando!

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