sábado, 30 de novembro de 2013

"Predador" afável

Eram 06:30 da matina quando me encontrei com o Armando, o Paulo e o Ricardo. Estava um frio de rachar, mas a vontade de pescar entre Amigos supera qualquer adversidade. 
Chegamos ao spot das primeiras varadas, após uns minutitos de caminhada pela praia, com o Armando já desanimado: "Eu gosto é de estacionar o carro e pescar em frente, não é disto"! Ahahahahah! Mal sabia o que ainda iria palmilhar! Ahahahah! O sol ia timidamente dando um ar da sua graça e foi numa paisagem idilica que irrompeu ruidosamente (pelo menos desta vez sem cheiro!) o Rui Urubu! No dia anterior tinha sido o aniversário da esposa (parabéns para a Ticha!) pelo que seria quase certa a sua ausência... Afinal estava ali, cheio de pica e a abrir o livro logo à chegada!

Paulo e Armando ao raiar do dia

Quem também não tardou a abrir o livro foi o nosso Amigo Ricardo "Murangu Xixi". Como é habitual, nunca deixa os créditos por mãos alheias e abriu o activo com um bonito robalo, que já teria a medida mas que acabou por libertar.

Ricardo "Murangu Xixi"  on fire

Depois de umas fotos e vídeos e com fé revigorada, toca a voltar a mandar as amostras para o líquido! Lança que lança, corrica que corrica e não é que volta a calhar ao mesmo! Maaaaaau! Assim não pode ser! Sempre o mesmo mijãozinho de serviço? Ahahahahahah! Afinal a regularidade é típica dos grandes pescadores e o Murangu é danado! Peixinho a seco, bocas da praxe e mais uma libertação.


Sem mais sinais de actividade de peixe, voltamos levantar a âncora e rumamos a novos spots, para grande tristeza do Armando! Ahahahahah! Ainda por cima andamos a queimar combustível para nada!
Eram 9h e o Ricardo tinha de partir e nós acabamos por ir abastecer. Duas de letra, barriguinha cheia, sol ao alto e surge a dúvida: Vamos ou não vamos pescar mais um bocadito? O Urubu tinha de partir, mas eu gostava muito de ir áquele spot com o Armando e o Paulo. Até podia não dar nada, mas pelo menos ficavam a conhecer um hotspot à maneira... Com muito custo lá vestio fato e aí vão eles! Confidenciei que naquelas bandas gosto de usar uma amostra paneleirota como o king John me ensinou e não tardou foi ela mesma que me permitiu safar a grade com um peixinho bem jeitoso. Ahahahahahah!



Foi uma jornada excelente, com pessoas excelentes, daquelas com quem dá gosto partilhar estes momentos! Conheci finalmente o Paulo, tal como os demais, um "Predador" afável que será certamente companhia assídua de outras manhãs felizes!
Obrigado Amigos e até já! 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Acompanhado (e bem) tem outro sabor!

As minhas últimas investidas têm sido solitárias, o que, mesmo com capturas, tem menos sabor. Neste dia consegui convencer o meu Pai a acompanhar-me, se bem que mantendo-se fiel à sua pesca ao fundo com isco. O importante é que foi comigo e pudemos partilhar bons momentos.
O fim de tarde estava frio mas sem vento e o mar grande caía a olhos vistos. Sem chuva há mais de uma semana a água barrenta tinha dado lugar a uma água azul com muita espuma. Comecei a pescar com jerks e em seguida com vinis, sempre sem qualquer toque. O meu Pai, ao meu lado, enquanto aguardava pacientemente que algum peixe lhe comesse a generosa iscada de ameijoa, sugeria repetidamente que usasse um ferro pois o mar ainda estava grandote. Acabei por seguir a sugestão e logo no primeiro lançamento - PIMBA! Ataque perto da escoa e peixe cravado! Como estava a pescar de um sítio alto e ainda por cima ia de calças de fato de treino e sapatilhas (à turista! Ahahahah!) lá tive de encalhar o peixe numas rochas e ir busca-lo a correr entre os sets. Não é que o desgraçado vinha ferrado por um olho!


Grande festa, fotos tiradas e o Cotinha a moer-me o juízo: "Quem é que sabe, quem é? Eu bem te disse que era com o ferro!" Ahahahahahah! Eu ainda tentei tirar-lhe o mérito da sugestão, dizendo que foi o que lhe passou ao lado e que era um peixe solitário... o mal foi que no lançamento imediatamente a seguir, com o mesmo ferro, levo outra paulada valente, mais fora! Ahahahahah! Aí sim, tive de o aturar: "Se me tivesses ouvido mais cedo, tinhas aí um saco deles"! Ahahahahah! Com algum trabalho, pois já se  tratava de um peixinho digno de registo, lá o coloquei a seco e fui novamente busca-lo a correr! Que bela pesquinha já ali tinha!... e acompanhado (e bem) tem outro sabor! 






Entretanto o sol escondia-se no horizonte, a maré estava quase cheia e por vezes as ondas já ameaçavam molhar-nos no sítio onde nos encontravamos. Por isso, o meu Pai resolveu dar corda às sapatilhas e tentar a sorte num areal nas redondezas. Eu prometi ir ter com ele, mas queria aproveitar os últimos raios de luz naquele spot. Alguns minutos depois, de volta aos jerkbaits, levo mais uma boa paulada e sinto o bichinho do outro lado a dizer que sim! Para meu espanto, assim que o vejo lá longe à superfície pela primeira vez, constato que apenas a cabeça da amostra está fora da boca! Gulosos estes robalos de Novembro! Ahahahah! E nem era grande espingarda, mas personalidade não lhe faltava! Bem cravado como estava e com bastante mais água do que no início da jornada, trouxe-o até à escoa e numa onda coloquei-o ao meu lado, após um voo espetacular! Aahahahah!




Estava feita a pesca. Fui ter com o meu Cotinha e voltamos para casa satisfeitos, apesar da pesca ao fundo não ter dado os mesmos frutos. 



Está na alturinha do Rei dos Mikis e dos Meros, passar da teoria à prática, pois está mais que visto que no bitaite está imparável! Ahahahahah!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Um último adeus e um abraço de despedida

Há pessoas que nos marcam. Pessoas que se cruzam no nosso caminho e que, de alguma forma, quando dele se afastam, deixam conosco um pouco de si e muita saudade.

Conheci o Sr. Rebelo há uns anos atrás, num dia feliz de pesca.  Tinha feito uma dupla de robalos e um deles proporcionou-me uma luta épica e inesquecível, que culminou com a sua captura mas também com a cana partida. Foi com o coração aos saltos e adrenalina a fervilhar nas veias que me dirigi áquele senhor que procurava por polvos nas muralhas de rochas e lhe pedi para me tirar uma fotografia com os peixes. Boquiaberto, pelo maior exemplar e pela cana partida, lembro-me do primeiro comentário: "Isso não é cana para aqui, muito menos para um robalão desses"! Assim era o Sr. Rebelo: directo e honesto. Era dono de um sorriso fácil e  de um rosto moreno, queimado pelo sol de muitos anos... pelo sol que ajudou a desenhar as rugas que marcavam feições definidas. O mesmo sol, cujos feixes de luz e calor, terão sido o único conforto nos longos meses passados num bacalhoeiro nos mares da Noruega. Outros tempos... Tempos de juventude que relembrava com nostalgia em relatos apaixonados. Foi sempre um Homem do Mar... E foi no Mar e graças ao Mar que o conheci. Desse dia em diante, sempre que me cruzava com o Sr. Rebelo era um prazer poder ouvir novas histórias, aprender novas dicas sobre o mar e sobre aqueles spots em frente a sua casa que conhecia como a palma da sua mão. Habituei-me às suas histórias, à sua companhia... Habituei-me até a sentir-me observado ao longe sempre que pescava nas redondezas! Sabia muito bem regressar das pedras ilhadas e ver  que o Sr. Rebelo caminhava na minha direção para ver de perto os robalos cuja captura partilhara atentamente à distância. Aos poucos, mesmo inconscientemente, fomo-nos tornando cúmplices.
Mas não era só à distância que partilhamos capturas. Várias foram as vezes em que constatei in loco as travessias do Sr. Rebelo para as rochas ilhadas. Apesar da idade, percorria aquele trajecto com destreza nas suas botas verdes de borracha. Acredito que fosse capaz de o fazer até de olhos vendados! Além disso, o que me ficará para sempre na memória será um sargo com cerca de 2kg que pescou a poucos metros de mim com as sugas de ouriço que tão bem fazia. Apesar do mar forte e da dificuldade do pesqueiro, colocou o sargalhão aos pés, recusando a pronta ajuda que lhe prestei. Era um senhor! Quando já tinha alguma intimidade comigo confidenciou-me que já tinha pescado muitas toneladas de robalos quer da costa quer de barco, mas que nunca tinha apanhado nenhum como o que me partiu a cana no dia em que nos conhecemos! "Oh doutor, eu não sou mentiroso, por isso acredite quando lhe digo que já aqui pesquei vários sargos com 3kg"!
Foi com grande agrado que vi aquele bom Homem começar a praticar spinning com um jerkbait e ainda mais gozo me deu poder oferecer-lhe um vinil com que pesquei um robalo ao seu lado! "Oh doutor, agora é com isto?  Vou ter de experimentar"! Este era o espírito (jovem) do Sr. Rebelo...

Foi no mesmo sítio onde o conheci que recebi a dolorosa notícia da sua (inesperada) partida.
Desde então, que desejava pescar um robalo para lhe dedicar, deixando-lhe esse tributo simbólico como prova de consideração, gratidão, respeito e saudade.
Pude finalmente fazê-lo hoje ao nascer do dia (primeiro) e ao pôr-do-sol (depois, na companhia do meu Pai), com 3 robalos.  E com uma cana maior que daquela primeira vez! O Sr. Rebelo voltou a estar naquelas rochas comigo e, apesar das circunstâncias, estará mais vezes!



 

 

Obrigado por tudo o que me ensinou e por tudo o que genuinamente partilhou comigo!
Só não lhe perdoo esta última lição que me deu acerca da fragilidade do nosso ser e do quão fugaz é a vida! Podia ter-me deixado dar-lhe um último adeus e um abraço de despedida...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Robalos de malucos

Combinei com o Zé Pedro numa loja de pesca para dar duas de treta e mostrar as novidades que haviam chegado para Spinning. Chegados à loja, toca a gastar €€ visto que o Mar, o vento e a chuva não davam tréguas e não iria dar para pescar. Quando vamos a sair da loja, havia sol e o vento até nem era tanto.... O Zé Pedro lança o convite, a ver se eu queria ir pescar. Como no dia seguinte iria novamente para Faro, aceitei de imediato.
Pego na bicicleta, vou a casa buscar o material e acelero para o pesqueiro. O Zé Pedro tinha ficado de adiantar o Almoço para a família, e tinha primeiro que passar por casa. A meio do caminho para o pesqueiro, começa a chover intensamente!! Ora Fo********, fiquei molhado que nem um pinto! Mas já que estava molhado e estava, segui debaixo de chuva. Quando lá chego estava o Zé Pedro dentro do carro, SECO!!! Foi só tempo de ele vestir o fato e arrancamos para o spot.
O que eu não sabia era que teríamos que "molhar o cu", e eu não tinha trazido fato vestido. Ora eu estava de fato de treino e de galochas até ao joelho..... Estão a imaginar o filme ???????? Mas como já estava molhado e estava, e não queria pescar da areia, toca  a atravessar com água pela cinta!!!!!!
Chegados ao local escolhido, toca a pescar. O Mar apesar de grande, naquela baía dava para pescar. Cheios de fé sempre a mandar os vinis para a água, uma, duas três, 10, 20 vezes e nem um toque!
Toca a ir mais para a frente.....E que escolha mais acertada!. Logo no primeiro lançamento TZZZZZZZZZZZZZZZ   ferro um bom peixe que me deixa perplexo ( O Zé Pedro diz-me no fim que só queria ter uma câmara para filmar a minha cara, pelos vistos foi ÉPICA!!) porque naquela zona tão baixa, tão batida de mar e tão acidentada era o último sitio que queria engatar um peixe.....  Seguro o peixe, deixo-o bater e sempre a pensar por onde o iria tirar. Quando o peixe chega a meio, uma onda atira-o para a costa e só tenho tempo de correr para a frente por entre as pedras para evitar que a linha se cortasse nas pedras.Obstáculos evitados, finalmente o peixe estava em seco! UFA... Este já cá canta ;)
Fui trocar o terminal que já estava "tocado" e toca a lançar.......Poucos lançamentos depois sinto um toque, mas não consegui ferrar. Aviso o Zé Pedro,e nos lançamentos seguintes sintou outro toque mas este consigo ferrrar. TZZZZZZZZZ 4 ou 5 cabeçadas e já estava cá fora, não era tão grande como o anterior e a Cinnetic tratou dele com distinção! ahahahahahah


Continuamos a pescar, mas por pouco tempo. Tinhamos começado a pescar eram 11:30/ Meio-dia aproximadamente, e o Zé Pedro tinha a família à espera  para almoçar, demos a pesca por terminada.
Ainda nos chamam malucos por irmos pescar em condições adversas! Maluco é quem fica em casa! Como diz o nosso Amigo Peixoto: "O Mar é que é Grandeeeee"!, dá sempre para encontrar um sítio com condições para pescar.

Abraço!

1º Robalo do ano à zagaia

Com os Mares de Inverno a quererem dar o primeiro ar de sua graça, estava mais do que na altura de começar a montar umas zagaias e uns vinis mais pesados. Os dias anteriores tinham sido bons dias de pesca, o Zé Pedro e eu tínhamos feito boas pescarias,combinou-se com a malta toda do blogue mais uma sessão de pesca, desta vez todos juntos.
Assim foi, pescaria marcada, mas o Zé Pedro só nos poderia acompanhar a partir das 20horas, pois era o seu horário de saída do trabalho.Chegados ao pesqueiro já lá estava o Sérgio, mas eu e o Rui decidimos ir experimentar um areal primeiro antes de nos juntarmos a ele. Mal chegamos ao areal, sinto logo um toque e aviso o Rui. No lançamento seguinte, tzzzzzzzz já cá estava o primeiro do dia, um robalote com 300g que foi prontamente devolvido - Um bom pronuncio para o que se ia passar a seguir.
Passado pouco tempo fomos ter com o Sérgio, que ele também já havia safado a grade com um robalo kileiro e não só, tinha encontrado a zagaia "especial" que eu tinha deixado em cima de uma pedra da parte da manhã(Obrigado!!).
 As horas passavam e nem sinal de peixe, o Rui decide ligar ao Zé Pedro a contar o que se havia passado até então, a meio da conversa, e num lançamento mais comprido, sinto a zagaia a prender, seguida de TZZZZZZZZZZZZZZ. Um bom peixe, que devido ao estado do mar, me obrigou a andar uns 20metros pelo meio das pedras, e com a ajuda do Rui lá o consegui meter a mão. Lindo peixe, bateu-se como um gigante, mas esta luta ganhei-a eu. Acusou 3,600kg.
O Rui, já é de natureza um Homem cheio de "fé", sempre positivo, ficou logo de ânimos revigorados e toca a pescar outra vez. O Sérgio decide mudar de estratégia e colocar uma amostra rígida, e logo ao primeiro lançamento engana um robalo do tamanho da amostra! É realmente de pensar, com um mar tão grande andar um juvenil capaz de se atirar a uma rapala do tamanho dele ......
O Zé Pedro chega curioso e cheio de fé, porque sabia que tinha engatado um bom peixe mas como desligamos a chamada não sabia se o tínhamos conseguido tirar.
Com a maré a encher, o mar começa a ficar com cada vez mais força e torna-se impossível pescar, todavia, entre uns bons sets e já quase a levantar a zagaia sinto uma prisão seguida de TZZZZZZZZZZZZZZ Apanhei um susto porque sabia que estava perto da pedra e o peixe a fugir para trás....... Parecia-me outro peixe bom, mas no momento que a vaga passa e o peixe "perde" a força rapidamente o icei cá para fora. Era mais um robalote jeitoso, kileiro, mas que se fez passar por um "Grandão".
Ainda tentamos ir a outro spot, mas o mar continuava grande e as horas já tinham passado, estava na hora de dar por terminada a pesca.

Abraço!