sexta-feira, 29 de março de 2013

LEVE... LEVE

Numa das muitas incursões de pesca protagonizadas por mim e pelo Zé Pedro, um dia resolvemos conhecer S. Tomé e Principe, mais concretamente o ilhéu das Rolas. Adoramos a estadia, que incluía saídas de barco para pesca ao fundo e à amostra. As águas quentes equatoriais prometiam fartas capturas e bons exemplares... A realidade foi muito diferente! Os meios técnicos usados para detetar cardumes, designadamente o sonar, não funcionavam e até a âncora não cumpria a sua missão, porque a corda era... demasiado curta para a profundidade do mar. Estas contrariedades esmoreceram a nossa esperança de belas pescarias, mas não não afetaram a boa disposição dos sãotomenses que nos acompanhavam. O conselho que nos davam era muito simples - nada de aborrecimentos, tínhamos de ter calma e encarar as coisas "leve,leve"!!!
Esta história ocorreu-me como ponto de partida para a crónica de mais um dia de pesca à truta. Eu e o Pedro voltámos ao rio Âncora, mas desta feita acompanhados pelo Sérgio, grande companheiro destas lides.


O Dr. Rui Taxa destinou-nos novamente o lote nº 3, onde só se pratica pesca sem morte. À chegada, grande desilusão! O rio levava muita água e o caudal era muito lamacento, fruto das fortes chuvadas dos últimos dias.



Bem equipados para a intempérie (ainda cairam uns chuveiros fortes), e com o Sérgio a estrear cana e amostras novas, lá começamos a calcorrear as margens do rio para montante.





Para dizer a verdade, como viríamos todos a confessar mais tarde, a esperança num bom dia de pesca tinha-se desvanecido rapidamente. Mas como o tempo começou a melhorar, ninguém desistiu.O lote nº 3 tem cerca de 2,4 quilómetros de extensão. Tínhamos percorrido talvez 800 metros e o Sérgio surpreendeu-nos com um grito: "Já pesquei uma"! Uma truta bonita, com serrilhas até no palato.



Um pouco mais acima, surgiu um dos muitos açudes e o Sérgio avançou para o meio do rio, na parte superior da queda de água. Nesse local, começou a sentir vários ataques, enquanto eu que estava mesmo a seu lado continuava a ver a água correr... O Sérgio manteve-se no local alguns minutos e conseguiu apanhar mais duas trutas. Um pouco mais acima, já na margem, sacou o quarto exemplar. 4-0 não era uma vitória, era uma goleada!


Como bom amigo que é, o Sérgio transmitiu-nos o seu truque - as trutas estavam a comer mais fundo, pelo que era necessário recolher as amostras lentamente. O mais inexperiente nestas andanças revelava a sua argúcia e capacidade de adaptação ao meio. Lembrei-me logo da história com que iniciei esta crónica - "leve, leve" é que é bom!!! E foi. Eu e o Pedro seguimos a tática e ainda conseguimos amenizar a "derrota" para números mais agradáveis, pescando cada um mais três trutas.




Houve, pelo menos, mais dois peixes presos, que se soltaram à borda de água, e variadíssimos ataques sem sucesso. Um dia dececionante de pesca tornou-se numa jornada gloriosa. De tal forma, que só paramos de pescar por volta das 14,15, sem termos atingido o fim do lote... Mas o estômago reclamava e com razão. Havia um arroz de lampreia à nossa espera em Viana do Castelo. Começámos a comer às 15,30 e só acabamos por volta das 17 horas.
Enfim, uma jornada para repetir logo que as disponibilidades do Pedro e do Sérgio permitam. A tática inicial está definida - vamos começar a pescar sensivelmente a meio do lote e, claro, corricando "leve,leve"...

11 comentários:

  1. Nelas fotos e relato. Um abraço aos 3 pelos momentos únicos.
    Abraço, Filipe.

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  2. Óptima manhã de pesca!

    Para quem gosta de spinning, esta é uma boa alternativa nos dias em que o mar é adverso a pescarias. O contacto directo com a natureza e as distâncias percorridas testam a boa forma física do pessoal!

    Venham mais dias de pesca como este.

    Faça-se justiça, pois tudo o que aprendi na pesca ao spinning foi com vocês (Sr.Cruz e Zé Pedro). A táctica dada foi um tiro de sorte e uma constatação "in loco", mas ainda bem que foi assim.

    Abraços a todos!

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  3. Vocês, lá arranjam uns buracos para mandar umas varejadas!:)
    E lá saem uns trutas para a malta não ir perdendo a prática.
    Abraço

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    1. Como diz o Urubu: Vamos lançar a sameirinha à truta para não perder a prática de corricar!
      Abração!

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  4. Muito bom amigos, grandes momentos esses e com o Prof. Cucunuts a ensinar como se pesca na cana e no prato :)
    Relato de patrão, quem sabe, sabe!

    Abração

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    1. Ainda te vamos ver a ir à sameirinha, ou pelo menos a fazer companhia para alinhar na segunda parte - o arroz de lampreia! Ahahahahah!

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  5. buena jornada de pesca y que buena parecia el agua para pescar truchas, felicidades un fuerte abrazo desde asturias

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    1. Olá Emílio! Por acaso a cor da água não era má, o mal era a muita corrente nas zonas mais estreitas do rio. Mas mesmo assim foi muito bom!
      Abraço!

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  6. Oi malta

    Ora aqui está mais um tipo de pesca que gostava de experimentar...
    Ainda mais com malta tão fixe e com uma paisagem tão bonita!!!
    Parabéns ao Cuco por se ter adaptado tão bem a uma pesca que não conhecia, ensinam a missa ao padre e dps olha!!!!
    E olha que 4 a 1 quase roçou o massacre!!!!lolol
    Um abração para todos aqui do vosso amigo do sul.
    Pedro PJPescador

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  7. Grande Pedro, a paisagem e a companhia estão sempre garantidas neste tipo de pesca! Um dias hás-de vir conosco para nos "massacrares" também! ;)
    Grande abraço!

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