terça-feira, 27 de abril de 2010

Ilhéu das Rolas - dia 17 de Abril - a chegada

Chegamos ao aeroporto de São Tomé às 06:50h (05:50h na hora local), após um voo relativamente tranquilo de cerca de 6 horas proveniente do aeroporto de Lisboa. Após os primeiros passos em terra Africana, o calor húmido característico dá-nos as boas vindas. Para alguns dos que nos acompanharam não foram propriamente muito boas, já que houve quem enjoasse nos escassos quiilómetros percorridos até ao Hotel Pestana São Tomé, onde tomamos o pequeno almoço.
Barriguinhas cheias e músculos desentorpecidos, há que entrar num “machimbombo” que nos levará ao cais de embarque em Porto Alegre. Comparativamente com a viagem feita há 2 anos, um aspecto foi melhorado e outro piorado; por um lado, o “machimbombo” está equipado com ar condicionado, mas em contrapartida os troços da estrada em terra batida mantêm-se em mau estado e os poucos em tempos alcatroados foram bem maltratados pelas últimas chuvas tropicais.




Apesar da viagem não ser muito agradável, longe disso, em pouco mais de 2 horas chegamos a Porto Alegre.


 O mar está bonito e calmo, muito azul! Embarcamos no “Yon Gato” e 20 minutos depois chegamos finalmente ao Ilhéu das Rolas!



 Somos recebidos com música tradicional e água de côco que sabe muito bem! Foram mais de 8 horas em viagens e queremos mudar de roupa, tomar um banho e aproveitar tudo o que esta pequena ilha tem para nos oferecer.
Guardadas as malas nos quartos à pressa, retiramos só o necessário para ir tomar um banho no mar. Levo as barbatanas, os óculos e o escafandro e fico até à hora limite do almoço dentro de água a observar… são muitos os peixes, de diferentes espécies e tamanhos, todos de pequenas dimensões mas imensas cores.


Almoçamos e, estafados, dormimos quase toda a tarde. Há que recarregar baterias!
Acordo e já são 18h. É quase noite. Tenho que fazer uns lançamentos, quanto mais não seja para ver se não me esqueci de nada. Pego na minha Ilicium Team de 2,70m, Shimano Twin Power 3000 e algumas passeantes e poppers e aí vou eu. Apesar de o meu “bangalow” estar a 20 metros da praia, quando chego ao areal já está quase escuridão total. Lanço uma ou duas vezes, só para justificar o ter preparado o material, e regresso de imediato pois é a hora crítica de ataque do pouco amigo “Anofeles”. Fica já tudo prontinho no quarto para os próximos lances!

Foram largos dias a imaginar como seria bom… Por hoje já valeu pelo cheiro da terra molhada, o cheiro a África! Valeu pela paz, pelos telemóveis desligados (que funcionaram uns 5 minutos para matar saudades da família), pela Natureza. Estar aqui é ser absorvido por esta vegetação pujante, sentir a alma diluída nesta água cristalina, deixar o coração bater ao ritmo dos batuques…

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Directamente da Ilha de São Tomé - Leve leve!

Passados os primeiros 5 dias de férias no Ilhéu das Rolas, e desde hoje de manhã de regresso à Ilha de São Tomé, só hoje me é possível actualizar o blogue.

De uma forma geral, as férias propriamente ditas têm sido razoáveis, mas a pesca foi uma ENORME desilusão!
O clima tropical torna qualquer dia num bom dia de praia, mesmo quando visitados pela chuva numa das manhãs. A água fresquinha caída do céu sabe muito bem, especialmente quando a temperatura da água do mar é praticamente a mesma da temperatura ambiente e cerca de 30ºC! Foi excelente para praticar snorkling e fazer uns filmes subaquáticos que postarei em breve.
Já a pesca correu desde o início mal. Logo no primeiro dia, tivemos uma saída de barco para treino de Jigging. O barco nem sequer tinha sonar e os locais escolhidos para lançar os jigs, segundo o comandante muito bons para esse fim, eram escolhidos segundo referências terrestres (é indescritível a figura do "GPS humano" de mão encostada na face a mirar as referências terrestres a longa distância e com nevoeiro!). A verdade é que tentamos, tentamos e demo-nos por muito contentes as poucas vezes que os jigs chegaram ao fundo, mas sempre sem qualquer toque. Rapidamente todos constatamos que andavamos a dar tiros no escuro, sem qualquer hipótese de "ver o fundo" já que "o espelho do sonar estava partido" segundo o comandante - convém realçar que o sonar dá imagens resultantes da interpretação do eco de ultrassons que envia, tal como a Ecografia.
Mediante estes condicionalismos, a organização do concurso decidiu cancelar esta prova, que para mim foi o principal atractivo para participar e que me fez gastar mais de 500 euros em material!
Com um tão mau começo, as coisas só poderiam melhorar... ou não! Apesar de não ter trazido isco pois não tencionava participar na pesca ao fundo, acabei por fazê-lo a partir do momento em que a hipótese de pescar um exemplar memorável ao Jigging se desvaneceu.
Com o desejo de pescar, ou de pelo menos ver sair um bom peixe, lá fui eu no barco para a pesca fundeada, com isco emprestado. Mais uma vez, a barraca! O comandante que já no dia anterior só por 5 minutos na prova de 3 horas conseguiu ter o barco parado, viu-se e desejou-se (novamente) para fundear a embarcação. Os participantes decidiram pedir para pescar com o barco perto da costa e só aí foi possível finalmente praticar pesca ao fundo sem ter o barco "à rola". Nesse spot só foram pescados exemplares de pequenas dimensões, maioritariamente peixes-porco (localmente apelidados de "asnos") e um ou outro parguito. Referir que o maior exemplar pescado tinha cerca de 1 Kg diz tudo...
Restava apenas o dia do Big Game e a desmotivação generalizava-se entre os pescadores. Apenas 6 participaram nesta vertente. Eu depositava grande fé neste dia pois há 2 anos atrás ainda vi bons exemplares de Bonitos e um bom Xaréu com uns 7 ou 10Kg. Este dia que podia ter sido a salvação do Torneio, não foi! Nem um peixinho!

A desilusão é muita! Mais do que pelo que não se pescou, por ter a convicção profunda que este mar está repleto de grandes peixes que não fomos capazes de pescar! Custa-me porque não foi por escassez de recursos naturais!

Sempre que se visita São Tomé há uma frase que fica na memória e que os Santomenses dizem vezes sem conta - "Leve, leve!". Mais do que uma frase muitas vezes repetida, é o reflexo de um modo de vida. Felizmente que esta terra santa não deixa que as pessoas passem fome, já que toda a semente que cai ao chão origina uma nova planta. Mas se este "deixa andar", este "vai devagar, devagarinho" arrasta consigo a positividade da descontracção, da calma e da paz, também está ligada ao desinteresse, à indiferença, à falta de inciativa e vontade de progresso.
Nesta minha segunda visita a este País, foi a vertente negativa deste "Leve, leve" que infelizmente sobressaiu. Custou-me voltar ao resort do Ilhéu das Rolas e ver que os passadiços em madeira que com o tempo se foram deteriorando não foram arranjados, que os Bungalows não viram qualquer melhoramento, enfim, que o tempo só se fez notar pelo lado negativo.
Voltando às embarcações, parece-me inacreditável que as âncoras feitas pelos participantes no concurso de pesca de há 2 anos se mantenham as mesmas (sim, porque na altura nem âncora existia para fundear as embarcações de pesca!) e com o natural desgaste resultante do uso. Custa constatar que os sonares oferecidos na altura não tenham sido instalados nos barcos e os que foram não funcionem. É indescritível ver a indiferença perante este cenário...

Para finalizar este post, dizer que a pesca da costa com amostras poderia ter sido melhor... mas também não foi! Pesquei um único exemplar, pouco maior que a sardinha Bakuba da WestLab. Registarei com foto esse momento em posts futuros mais detalhados.

Resta-me aproveitar o clima e a parte positiva do "Leve leve" nos dias que aqui me restam em São Tomé para tranquilamente explorar melhor a cidade.

As saudades da Família e Amigos já são demais! E de umas investidas de bons robalos nas amostras também! É nestas alturas que valorizamos ainda mais o que temos!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"Quem vai ao mar avia-se em terra"

Antes de partir para o Ilhéu das Rolas não poderia ser indiferente a este provérbio!
Por isso, fiz os possíveis por me preparar e "apetrechar" correctamente.

Para além da vacinação obrigatória da Febre Amarela e da quimioprofilaxia da Malária, do indispensável repelente de insectos (em spray, em pulseira e/ou etiquetas auto-colantes), vou munido de muitos artificiais que espero que abranjam os diferentes cenários onde vou pescar.



Se para o Big Game o material é emprestado aos pescadores no local, no que ao Jigging Vertical diz respeito tive de comprar cana - Hiro Virago Jig de 2,10m e acção 150-250g, carreto - Stella 6000 FA com multifilamento Power Pro 0,32 e os indispensáveis jigs.








Para o Spinning costeiro (apeado) levo o meu material habitual, com a peculiaridade de que, pela primeira vez em água salgada, irei pescar com Poppers.

Para além de tudo isto, ainda levo uns vinis, umas "gaias" e as enguias da Storm - Swin N Eel.

Haja peixe e jeito para o pescar, que material não falta! Espero eu...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Próximo destino: Ilhéu das Rolas (S. Tomé e Príncipe)

O mais pequeno País de expressão Portuguesa - São Tomé e Príncipe - é composto por duas ilhas vulcânicas: a Ilha de São Tomé a sul e Ilha do Príncipe a norte; e por alguns ilhéus.

A Ilha de São Tomé, cuja capital é a cidade de São Tomé, tem uma população estimada em 133.600 habitantes numa área de 859 km².
A Ilha de Príncipe, cuja capital é Santo António, é a ilha menor, com uma área de 142 km² e uma população estimada em 5.400 habitantes.
O Ilhéu das Rolas fica a poucos metros a sul da ilha de São Tomé, e apresenta a particularidade de ser atravessado pela linha do Equador.

(da primeira vez que estive no Ilhéu das Rolas)

São Tomé e Príncipe fica localizado no Golfo da Guiné, não tendo fronteiras terrestres. Situa-se relativamente próximo das costas do Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e Nigéria.
As ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram desabitadas até 1470, quando os navegadores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar as descobriram. Foi então, uma colónia de Portugal desde o século XV até à sua independência em 1975. É um dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
São Tomé e Príncipe é um país com uma multiplicidade de microclimas, definidos, principalmente, em função da pluviosidade, da temperatura e da localização. Tem um clima do tipo equatorial, quente e húmido, com temperaturas médias anuais que variam entre os 22 °C e os 30 °C. A temperatura varia em função da altitude.

É a segunda vez que visito o Ilhéu das Rolas. Da primeira vez, há pouco mais de 2 anos, pesquei embarcado - Big Game e fundo. Desta vez, vou estrear-me no Jigging vertical e aproveito para levar o meu habitual material de Spinning para explorar a costa do Ilhéu (apeado).

No dia 16 deste mês (sexta-feira) parto para o paraíso!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tela viva

De cada vez que vou à pesca levo comigo a minha máquina fotográfica. Levo-a quase sempre e quando dela me esqueço sinto a sua falta quase como se me faltasse a cana, ou o carreto, ou as amostras. Já faz parte da indumentária básica para mim numa jornada.
A maior parte das vezes não fotografa peixes - infeliz ou felizmente. Porque nunca deixa de trabalhar! Trabalha, trabalha, trabalha! Sejam fotografias gerais da paisagem, ou do mar, de pequenas poças ou do fundo do mar, seja dos meus amigos que me dão o prazer da sua companhia. O que é incontornável é que maior que o regozijo momentâneo de captar um momento, esta máquina concede-me o previlégio de o reviver sempre que quero!
Tenho fotos e fotos e fotos, cada vez mais fotos! A maior parte de qualidade duvidosa, até porque sei muito pouco de fotografia, quase nada. Muito menos do que gostaria... mas o tempo não dá para tudo. Apesar da minha azelhice e muito provavelmente pela insistência, de quando em vez sai uma foto que destoa das outras por ser razoável (ou pelo menos, não tão má). É o caso da foto que se segue, quanto a mim uma das melhores, senão a melhor, que já tirei na pesca.


Esta foto parece-me um quadro, uma autêntica tela viva. Uma tela que emana o cheiro a maresia e que me volta a fazer sentir desprotegido e frio perante aquele majestoso pôr-do-sol! Ainda ouço o mar impetuoso a bater naquele rochedo, como que a querer expulsar-nos dali... ouço ainda as gargalhadas da partilha... sinto o calor da amizade!

Também partilhamos isto:

1910g
61 cm
Cana Shimano Beastmaster 3,30m
Carreto Shimano Twin Power 3000

(e um outro robalo pescado pelo Jorge que infelizmente não foi fotografado)
E isto:


quarta-feira, 17 de março de 2010

Queria ter guelras

Por vezes dou por mim durante um período de pesca a imaginar o fundo do mar. Enquanto lanço com afinco e corrico quase mecanicamente, a minha mente vagueia pelas profundezas... Será um fundo rochoso cheio de marisco? Será um fundo arenoso? Será uma zona mista? Por vezes os toques da amostra na pedra desfazem-me algumas dúvidas... outras vezes não...
A verdade é que essa incerteza me entretem. Só quando volto a ver o que os meus olhos me mostram e me abstraio dos locais onde a imaginação me levou, é que me apercebo que pareço um puto a sonhar acordado!

Os meus locais de eleição para pescar têm sempre rocha. Gosto de avançar até onde o Mar me deixa, às vezes (mal) um pouco mais. Sei que o peixe está muitas vezes aos meus pés, como o último que pesquei, mas é assim que gosto de o sentir - bem perto de mim!
Nas muitas incursões que fiz pelos meus pesqueiros habituais nunca tinha pensado em dar uso à máquina fotográfica à prova de água, imergindo-a. Hoje, com um Mar "chão" e águas abertas, acabei por fazê-lo. Ainda bem!

Todos os cenários subaquáticos que ao longo dos tempos fui idealizando, comparados com o que vislumbrei, são como filmes a preto e branco de má qualidade ao lado do melhor filme digital! O fundo do Mar é lindíssimo! Apesar do muito mal que o Homem lhe faz diariamente, resiste poderoso.

Eu que sou (cada vez mais) miupe apesar das lentes, ainda por cima claustrofóbico, nunca me poderia aventurar a praticar mergulho e arriscar-me a ver o que vi graças à minha Fuji FinePix WP. Com os meus pés bem acentes no fundo, mas apenas o pescoço e a cabeça fora de água, fotografei e filmei o que há muito imaginava, sempre por defeito! Nunca imaginei tais cores! Nunca me passou pela cabeça a abundância e a diversidade de vida!

De hoje em diante, quando sonhar acordado durante a pesca, os meus sonhos vão ser bem mais cheios e coloridos!

Só queria ter guelras!











domingo, 14 de março de 2010

Nada de errado conosco... acho eu!

Levantar às 06:40 da manhã para estar junto ao mar às 07:30...
Temperatura ambiente de 5ºC...
Antes de começarmos a pescar, nadamos para chegar ao "spot", onde chegamos a tremer de frio...

Algo de errado conosco??? Claro que não!
Estamos entre amigos e a fazer o que gostamos!




Robalo:
1560g
56cm

Material utilizado:
Cana Shimano Vengeance 3,30m
Carreto Shimano Exage 4000
Multifilamento Power Pro 0,15
Terminal em Fluocarbono Berkley Vanish 0,41

sexta-feira, 12 de março de 2010

Palavras para quê?






segunda-feira, 8 de março de 2010

Montagem de zagaias

domingo, 7 de março de 2010

Mais uma manhã entre amigos

Desta feita, fomos matar saudades de uma pesquinha à bóia! É claro que o Rei João, o Cabé e o Vasco não conseguiram largar o "corrico", mas eu, o Jerbey e o Orlando optamos por sujar as mãos com sardinha! Já tinha saudades de iscar um anzol!

Os sargos não quiseram nada conosco, mas o Jerbey foi o grande "tainheiro" do dia, com 2 taínhas pescadas e libertadas em óptimas condições após as fotos e vídeos da praxe.

Fica a foto dos Amigos para a posteridade: