sexta-feira, 19 de julho de 2013

O PARAÍSO NAS FLORES - II - PESCA AO SPINNING


II - PESCA AO SPINNING

Nos dois primeiros dias, por causa do tempo, pescamos da costa. Fizemo-lo em Santa Cruz, Fajã Grande e no porto das Lages. Já contei a proeza do Pedro logo no primeiro dia, mas o episódio merece um relato mais pormenorizado. Acabamos de jantar por volta das 21,30 locais e ainda havia muita luminosidade. Derreado pela chuvada e por escassas horas de sono (saímos do Porto às 2 e 30 da madrugada para apanhar o avião em Lisboa às 6,30), recusei o convite do Pedro e fiquei pelo quarto do hotel, enquanto ele foi tentar a sorte numa enseada muito bonita situada mesmo junto da unidade hoteleira.


Já tínhamos constatado que a profundidade era considerável e o Senhor Vasco tinha-nos dito que havia muitas anchovas e bicudas junto à costa. Pouco mais de uma hora depois, e quando o Vitinho já me chamava para a cama, tocou o telefone. Era o funcionário da receção a pedir-me para descer, porque o meu filho tinha uma surpresa. Desci de imediato com a certeza de que eram boas notícias. No hall, o Pedro esforçava-se por esconder atrás das costas um peixe notável. Tratava-se de um pargo enorme! Uma captura espetacular em qualquer circunstância, mais ainda da costa, ao cair da noite, quase sem luz, e sem qualquer ajuda! A juntar a tudo isto, o meu filho teve ainda o sangue frio para pegar na máquina e filmar os últimos momentos da captura, não fosse o pargo escapar-se... Para coroar este feito, é fundamental dizer que o pargo vinha ferrado numa extremidade da boca. Pelo beicinho, como se costuma dizer! Melhores do que todas as palavras, as imagens são esclarecedoras.


É claro que fiquei de imediato sem sono e acompanhei o Pedro em novos lançamentos no mesmo local. Foi a chuva uma vez mais que nos mandou para a cama!
No domingo, ainda sem barco, voltamos ao spinning depois de almoço e de um passeio de carro pela ilha. Escolhemos a outra vila das Flores, as Lages, onde se situa o maior porto. Protegidos do vento acabamos por tirar alguns peixes-porco e um pequeno lírio.




Mais interessante foi ver como diversas espécies seguiam os vinis e as amostras, embora sem atacarem.
De regresso a Santa Cruz, jantamos mais cedo, e voltamos ao spot da noite anterior. Foram alguns minutos bem passados com a captura de anchovas e bicudas.



Alguns vinis ficaram com as marcas da voracidade destes peixes “maléficos”, outros completamente destruídos...


Tinha sido um bom aperitivo para a pesca embarcada dos dias seguintes...

(CONTINUA...)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O PARAÍSO NAS FLORES - I - AS VIAGENS E O TEMPO

Depois da publicação do excelente “teaser” sobre a nossa viagem aos Açores, coube-me a mim a tarefa de contar as aventuras e desventuras vividas no paraíso das Flores. Ao contrário do habitual, em que relatava por cada dia de estadia, desta vez decidi fazê-lo por temas. Penso que assim é mais fácil para o meu filho Pedro a edição das fotografias e dos vídeos. Espero que gostem tanto ou mais do que nós destes relatos bem documentados, que dão a conhecer a lindíssima ilha das Flores, as suas potencialidades para a pesca desportiva e a qualidade humana dos nossos anfitriões – o sr. Vasco e o seu filho Diogo. O sucesso desta incursão deve-se em grande parte a eles. Obrigado por tudo!

I - AS VIAGENS E O TEMPO

Sempre que planeamos uma escapadela aos Açores para pescar, vamos com o coração nas mãos por causa do tempo. É conhecida a máxima que diz que no arquipélago em cada dia se vivem as quatro estações. Já vimos que é verdade, ou seja que após um período de chuva intensa pode aparecer um dia radioso. O problema é conciliar esta instabilidade atmosférica com as condições ideais de pesca no mar. O melhor é ter fé e confiar que os deuses serão nossos aliados. E têm sido, de tal forma que o melhor tempo que encontramos foi na primeira viagem ao Faial, que ocorreu em meados de Outubro...


Desta vez, escolhemos o pino do Verão, mas no primeiro dia (um sábado) mais parecia estarmos num Inverno rigoroso – vento forte e chuva incessante e forte; para amenizar o cenário, apenas a temperatura era agradável, muito menos agressiva que os 37º graus centígrados que se faziam sentir no Porto!


Impedidos de fazer pesca embarcada, decidimos tentar o spnining de costa. Fomos até Ponta Delgada (nas Flores, para evitar confusões), Fajãzinha e acabamos na Fajã Grande. Pescamos durante duas, três horas, sempre com chuva intensa e algum vento. Não saiu peixe, mas ficamos molhadinhos até... ao tutano!


Por mim dei por concluído o dia de pesca, após um bom jantar, mas o Pedro insistiu já de noite, mesmo em Santa Cruz, a dois passos do hotel e com ótimos resultados – um valente pargo pescado ao vinil!



Nos restantes dias o tempo começou a melhorar, embora no domingo não tenha sido ainda possível ir pescar de barco por causa do vento. Nos restantes dias fomos brindados com dias agradáveis, sem vento, um mar estanhado e temperaturas agradáveis, quase iguais de dia e de noite. Assistir a um pôr do sol viajando de barco a alta velocidade entre as ilhas do Corvo e das Flores é um espetáculo inolvidável. Há um fascínio diferente e até parece que o astro rei insiste em demorar a deitar-se!


Neste apontamento falta falar das viagens. Desta vez fizemos todos os percursos em aviões da SATA. Viagens tranquilas, em aviões modernos e recentes, aparentemente com mais espaço entre os bancos do que noutras companhias. A escolha das Flores implicou uma escala em Ponta Delgada e um voo num avião mais pequeno para as Flores. A aterragem em Santa Cruz ocorreu no meio de uma verdadeira tempestade com ventos moderados e muita chuva, mas foi perfeita apenas com uma travagem de “flaps” bastante forte. Em suma, a experiência dos pilotos da SATA habituados a pistas reduzidas é uma garantia de segurança!



(CONTINUA...)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ilha das Flores - Spinning e Jigging - Julho de 2013 (Teaser)

Há dias pude finalmente concretizar um desejo antigo - conhecer e pescar na Ilha das Flores. 
Embora pratique todo o ano Spinning, sou viciado em tudo o que é pesca com artificiais e por 3 ou 4 vezes já tinha experimentado Jigging sem êxito (entenda-se capturas) noutras paragens. Desta vez foi bem diferente, para melhor, muito melhor do que as minhas expectativas! O facto de ter ido pescar na companhia do Sr. Vasco (Zagaia Flores) não foi alheio a este facto, bem pelo contrário.
Diverti-me muito na companhia do meu Pai e pude conhecer pessoas fantásticas, prestáveis, amigas, com o mesmo amor pela pesca; refiro-me concretamente ao filho do Sr. Vasco - o Diogo - que me fez rir frequentemente com as conversas que ia estabelecendo com o Pai, via rádio, enquanto comandava outra embarcação (revejo-me nessa relação bem como na forma como o Diogo vive e sente a sua terra-natal); a um grupo de pescadores experientes naquelas andanças vindos de Lisboa - António Gouveia, José Anacleto, Mário Rodrigues e Sérgio Silvestre, com quem pude aprender bastante; e ao Comandante Miguel Borges "Zingarelli"!

Para já deixo um aperitivo do que foram estes curtos dias no paraíso das Flores - o chamado "Teaser"! Eheheheheh!
Entretanto tentarei fazer relatos mais descritivos e precisos da pesca costeira/ embarcada/ Jigging/ Spinning.

  

Sinto-me obrigado a deixar uma menção especial para o Sr. Vasco Avelar, mais do que pelos dias de pesca inesquecíveis, pela amizade, simpatia e hospitalidade! Ficou com um Amigo para a vida! ;)

Ao meu companheiro de sempre,  melhor Amigo, ao meu Pai, que venha a próxima viagem já em Setembro, haja saúde! Ah... e desta vez que o Porto não jogue à hora da escala em ponta Delgada, para não voltarmos a perder o vôo e a pagar multa no de substituição! Looooool!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Dia mais longo do ano ainda mais longo

Em dia de folga o despertador tocou mais cedo do que num dia de trabalho. O motivo era o mesmo de sempre - a pesca. Eram 06:30h da manhã e já fazia os primeiros lançamentos no prometedor raiar do dia, o maior do ano! Desde que mudei de casa que tenho vindo a explorar novos spots na sua proximidade, o que me tem dado muito gozo. Além disso, como tem saído pouco peixe nos últimos meses, as expectativas são baixas e não vale a despesa e perda de tempo de voltar onde já fomos felizes.
Para explorar novos spots nada melhor que a maré vaza e viva, se possível de máquina fotográfica em punho para registar os fundos e caneiros que ficarão submersos nas marés cheias. Fui pescando, percorrendo a praia e nadando entre pedras ilhadas aqui e ali; só isso já me dá muito prazer. A alternância de tipos de artificiais, experiências com diferentes cores e animações mantêm-nos alerta para um qualquer ataque. O primeiro deste dia ocorreu quase aos pés! A lançar de uma pedra ilhada, revestida de percebas e cercada por algas mergulhadas numa água castanha, pensei de início que se tratasse de uma prisão nas algas. O lutador robalo encarregou-se de me provar que estava enganado e que estava ali aos meus pés cheio de coragem! Engraçado que numa mistura de água típica das chuvas do Inverno, com algas características do calor de outros anos por esta altura, se reuniram as condições propícias para desgradar!


O mais dicícil estava feito - mais um spot perto de casa com boas condições e com peixe. Se dúvidas houvesse, no mesmo sítio e com a amostra a passar pelo mesmo caneiro ladeado de laminárias, pesquei o segundo robalo deste início de Verão.
Hei-de lá voltar com toda a certeza, se possível acompanhado, pois uma grande desvantagem desta exploração de novos spots perto de casa é a distância dos meus compinchas. Estou certo que mesmo assim, havemos de lá ir juntos. Até lá, vou explorando a nossa abençoada costa...


Abraço e boas pescas!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Sábado dourado, sem douradas

Este ano ainda não me estreei às douradas, mas ainda só as tinha procurado por uma vez. À segunda tentativa, sem que o tempo e a água aqueçam, fui com o meu Pai - perito na arte de pescar douradas gigantes de 200g! A pesca foi combinada com tempo para o Sábado de manhã e a marmita preparada a condizer. Como tínhamos a arca cheia para transportar, acabamos por fazer a travessia de barco, evitando a longa travessia no "deserto" da base de S. Jacinto.
A expectativa de pescar no fim dos blocos na Foz da Ria gorou-se mal entramos no barco-taxi, quando o seu comandante nos avisou de imediato que não se podia pescar além da escada. Fiquei logo desiludido, pois mesmo que não andem por lá douradas, no fim do paredão andam sempre uns sargos dos bons para desgradar... Confinados a meio do caminho que pretendíamos percorrer, lá montamos o material e começamos a pescar. A maré era pouco viva e a água estava cristalina, pelo que as condições para pescar as tão desejadas douradas nem eram más de todo. Contudo, o tempo foi passando e apesar de múltiplos toques, douradas nem vê-las! Fosse pela falta de douradas ou pela abundância de peixe pequeno que não dava paz às iscadas, voltamos para casa com apenas um sargo (e pequeno!) na mochila. Parece-me que não é só falta de jeito e que ainda não lá andam douradas com a força habitual nesta altura do ano - não vi uma única cana a vergar com uma e não foi por falta de canas!


Já com o materrial arrumado no carro, fomos dar por concluído o ritual no restaurante do costume. Como não tinham chocos, que também devem estar atrasados como o bom tempo e as douradas, comemos umas lulinhas grelhadas que souberam a pouco!
De regresso a casa, foi tempo de família reunida, banhos de sol e na piscina e churrasco. À ementa, para além da imprescindível "xixinha", não faltou o bom robalo escaladinho de pescas mais afortunadas que esta da dourada! 



Por isso mesmo, tratou-se de um Sábado dourado, mas sem douradas!



domingo, 9 de junho de 2013

Abordagem saltitante dos spots

Eram 19 horas quando cheguei perto do mar. O horizonte carregado augurava chuvinha e o mar estava com uma cor fantástica. O vento era fraco e as ondas de cerca de 1,5m eram certinhas. Como a água, que tem teimado em permanecer fria, tinha subido para uns atípicos 14,5ºC, pude pela segunda vez este ano lançar os meus passeantes com mais fé. Os minutos foram passando e foram-se encarregando de me fazer entender que ainda não era desta que este ano me estreava à superfície...
Os fundos já começam a ser invadidos pelas algas, que dificultam o uso de jerkbaits especialmente em zonas baixas, mas servem de abrigo aos nossos amigos robalos. Depois dos passeantes, nada melhor que um vinilzinho para sondar o alguedo mais abaixo! Fui experimentando diferentes vinis, diferentes cores... e nada. Contrariamente ao habitual, em que escolho um spot e invisto nele quase toda a jornada de pesca, fui saltitando de cabeço em cabeço, incrédulo por não encontrar um peixe com tão boas condições. Alturas tantas, entre múltiplas tentativas, mal lanço num novo spot, sinto uma prisão. Seria alga? Não! Era a salvação da grade já anunciada! Maravilha! Não era grande, mas o prazer proporcionado foi! Engoliu o meu delalande laranja e amarelo vorazmente e dali já não saiu. Insisti mais 10 minutinhos sem sentir toque e continuei o meu percurso costeiro - fez-me lembrar as longas caminhadas nos rios truteiros.
Estava eu a chegar perto do meu carro, quando avisto outro pescador num spot onde já fui feliz. Resolvi ir dar duas de letra e ainda bem, pois tratava-se do Sr. Rebelo - um lobo do mar, ex-pescador do bacalhau na Gronelândia, que já me ensinou muito acerca daqueles spots. Há muito tempo que não o encontrava e pudemos pôr a conversa em dia. Enquanto falavamos, o Sr. Rebelo engata um robalote (com um jerkbait pequenino a passear entre a floresta de algas!) e convida-me para fazer uns lançamentos ao seu lado. Com todo o gosto voltei a dar banho ao vinil - um branquinho e prateado; não demorou nada, lá estava ele na boca de outro labrax! Como era pequeno, teve direito a voltar ao mar; o vinil, esse, ofereci-o ao Sr. Rebelo que nunca os tinha usado e ficou todo contente. É engraçado que muita malta nova tem por vezes aversão a experimentar novos artificiais e este senhor de cabelos brancos parecia uma criança a quem dão um presente!
A chuva começou a cair e que bem sabia! Apesar da temperatura amena, o calor do fato que me ajudou nas múltiplas travessias e o "bafo" das ondas a rebentar nas rochas, foram amaciados pelas pingas milagrosas.
Aproximava-se o fim da jornada e era a altura de usar o esplendoroso azul e branco na despedida. Como começa a ser habitual, nos últimos lançamentos, nos descontos (especialmente no minuto 92!), engatei o meu terceiro e maior exemplar, que me fez companhia até casa.
De agora em diante acho que vou apostar mais vezes nesta abordagem "saltitante" dos spots...



Abraço malta!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Uma manhã animada em S. Jacinto - blogue reaberto ao público

Há uns meses largos que não ia a S. Jacinto e, embora as condições metereológicas não fossem as ideais, decidi ir fazer uma visita ao local. No dia anterior ainda tentei desencaminhar os meus compinchas, mas acabei por ir sozinho... Estava a precisar de pescar, de ter umas horas de paz junto ao Mar.
Eram 7 da manhã quando saí de casa, como faço num dia normal de trabalho, mas a distância a percorrer era bem maior que a do dia-a-dia. Consegui atravessar o Porto sem grandes filas e apenas parei para meter gasóleo, enganar rapidamente o estômago e comprar isco (casulo, navalha e caranguejo).
Chegado a S. Jacinto palmilhei o extenso areal até ao paredão, onde a ria desagua no mar. Apesar de muito cansativo, tinha muitas saudades daquele passeio e daquela paisagem virgem. Naqueles 30 minutos de caminhada solitária vêm à cabeça tempos idos de pescas gloriosas, mas também os nossos primeiros chaços atolados na areia! A companhia que tanta falta me fez é sempre recordada e a sua falta sentida - a pesca nem é a mesma coisa... mas já ali estava e ia fazer-me bem ao espírito.
Escolhido o local para sujar as mãos com isco, toca a montar a primeira cana e a lançar a primeira iscada com casulo. Mal pouso a cana para montar a segunda, levo uma bardoada com a marca sargo, das que já não sentia há muito. Infelizmente, quando voltei a pegar nela, já o anzol vinha limpinho. Fiquei logo electrizado, pois quando os sargos lá andam é um fartote! Volto a iscar, novo lançamento e cana na mão à esperinha de lhes dar nos dentes. Mal a linha estica na corrente, zás! Ferro eficazmente e lá vem o meu primeiro sargo a chegar e eu a vê-lo brilhar aos meus pés naquela água barrenta, quando numa das muitas turras o fluocarbono (ferido no lançamento anterior) parte. Fico eu a falar sozinho e a culpabilizar-me por não ter mudado o tenso coçado, quando ouço uma voz a chamar-me: "Não pode pescar aqui enquanto os camiões estiverem a passar com pedras, é pela sua segurança". Apesar de educado e de estar a cumprir a sua função e a zelar por mim, naquele contexto fiquei danado! Depois de me levantar cedo como num dia de trabalho, de fazer uma viagem de mais de 1 hora de carro, palmilhar 30 minutos pelo areal e nos dois primeiros e únicos lançamentos perder dois peixes, tive de acatar a ordem e sair dali. Toca a andar mais 15 minutinhos paredão fora, até um local sem tráfego.
Pelo caminho, com o sol a bater-me na pele e a nortada quase a arrancar-me o chapéu mas a varrer-me do cérebro as preocupações do dia-a-dia de trabalho, voltei à estaca zero - vontade de ali estar, fosse mais para a frente ou mais para trás.
Isquei e lancei a cana já usada e, enquanto montava a outra, via-a a dar os primeiros sinais de peixe. Os toques, ferragens, peixes pescados, peixes libertados (por serem pequenos), foram-se sucedendo e animando a minha manhã. Os sargos não eram grandes, mas não me davam descanso. Os sargos e os anzóis perdidos graças aquele fluorcabono foleiro que comprei no dia anterior.
Com o fim da maré, a actividade do peixe baixou. Tinha boas expectativas para esta fase do dia, com o sol ao alto e a maré parada e isquei com navalha na tentativa de enganar umas douradas. O tempo  ia passando e nada, até que numa das canas sinto uns toquezinhos subtis, de faca e garfo... pensei para mim: "Olha uma douradinha"! Aguardei com calma até ao toque que fez vergar a cana e levantar o meu stella do chão! Grande trolitada e que força fazia com cabeçadas em direção ao fundo! Abri a embraiagem e trabalhei o peixe até à beirada e nunca mais o via brilhar como desejava... só imaginava o belo do fluocarbono a partir... Alturas tantas, em vez do brilho que tanto almejei, vejo uma bruta duma "cobra" a chegar às rochas! "Que azar do carago! Já não bastava não ser uma dourada, era um puto de um safio enorme"! Como estava a cerca de 3 metros acima do nível da água, muito embora as pedras por baixo estivessem a seco, pousei o safio numa delas, baixei a ponteira da cana e estiquei a linha e icei o peixe. A meio da viagem o super fluocarbono partiu uma vez mais! Olho para baixo e lá estava a "cobra" encostada ao paredão, a seco. Embora não a quisesse trazer para casa, pois é peixe que não aprecio, queria tirar-lhe uma foto pois tinha seguramente mais de 1 metro! Pousei a cana e desci o paredão a correr, mas quando cheguei ao local da queda, zerinho! Já se tinha metido num dos muitos buracos, mesmo a seco, entre pedras e algas! Durante uns 10 minutos ainda vasculhei com algum medo os buracos, mas o medo de levar uma ferradela fez-me (corajosamente) desistir.
Ainda pesquei mais 3 ou 4 sargos na primeira hora de enchente, mas dei a pesca terminada com 5 sargos no saco e um dia bem passado.

Os dias bem passados a pescar, se possível com Família e Amigos, sempre foram o motivo deste blogue. As grandes pescarias que muitos (apenas) vêm espiar para ver os spots, amostras, etc, etc, etc... acontecem quando acontecem, fruto da nossa insistência.
Ponderei fechar o blogue por causa dos "espiões", pseudo-pescadores, que aqui vêm muitas vezes provocar, insinuar e até insultar. Na verdade, seria dar-lhes a importância que não têm. Resolvi seguir os conselhos do meu Amigo Cuco e voltar a abrir a todos o acesso, vivenciando a Pesca como sempre - com paixão, como espero que este relato e o blogue de uma forma global espelhem.


Aquele abraço!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Forte norte!

Mais uma bela manhã com mar a condizer e a chamar pela malta para mais uma investida "spinneira".
Lá se encontraram os suspeitos do costume, Urubas Zé Pedro e eu, com um pequeno atraso do nosso amigo Zé que estava a ultimar uns assuntos pessoais.
Arrancamos antes do Zé chegar; começo a pescar logo no primeiro spot com o Urubas a escolher um spot mais dianteiro!
Soprava uma nortada forte, toleravel e que ajudava no voo da amostra. Ao 4º lançamento sinto uma pancada forte e tenho a primeira luta do dia com um peixinho da medida, nada comparado ao que estavamos habituados nos últimos dias. Vejo ao longe o Zé Pedro a chegar, que assiste da bancada ao primeiro exemplar do dia e o Urubas rumava ainda em direcção ao spot escolhido. Bem, a coisa prometia!

Lançamento atrás de lançamento e nada. A nortada estava cada vez mais forte e o frio era tanto que roçava o desagradavel. Com o virar da maré rendemo-nos, sem sentir outra escama qualquer!

Valeu pela companhia amiga dos suspeitos do costume e pelo único peixinho pescado logo nos primeiros lançamentos que desgradou por completo o grupo e que nos aumentou as esperanças, confirmadas posteriormente como infundadas.

Abraço!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Robalos a seco e aos pés!

Nesta jornada de pesca ficou provado que os nossos amigos robalos nos esperam onde por vezes menos contamos com eles.
Fui pescar com o meu Amigo Cuco numa maré viva e começamos a pescar já bem perto do fim da vazante. Apostamos num local onde temos sido bem felizes, o Cuco especialmente. Como já tinha muito pouca água, decidi ir tentar a minha sorte noutro spot, mas o Cuco ficou por ali. Poucos minutos depois, fruto da insistência naquele "sequeiro", lá chamava o Cuco por mim com a cana em esforço! Longe como estava, limitei-me a recolher a minha amostra rapidamente e a pegar na máquina para filmar o momento - e que momento! Um peixe lutador e que vendeu cara a derrota, mas que acabou por ceder à perícia do Prof. Cuco, cada vez mais habituado a estes lobos do mar.


Continuamos cada um no seu spot, mas com fezada renovada. O tempo foi passando e nem sinais de mais robalos. Entretanto, o "sequeiro" do Cuco foi-se transformando num verdadeiro canteiro de rochas e algas (impressionante como um peixe tão grande caça em tão pouca água!) e o Cuco veio para perto de mim. Já lado a lado, lancei o ferro para a "cordilheira" e safei a minha grade com um robalote da medida.


Já livres de vir a seco, começamos a insistir com os vinis que tantas alegrias nos têm dado. O Cuco serve a refeição de plástico a um mikizinho, mas devolve-o água de seguida. Já estavamos a voltar ao habitual - o Cuco não tem dado abébias, nem aos robalos nem a ninguém! LOL Já tinha o maior exemplar e maior número de exemplares! LOL
Conformado com mais uma tareia do meu Amigalhaço, e já depois do sol desaparecer no horizonte alaranjado, retirava o meu vinil à FCP da água quando me dá a sensação que este se prendeu na rocha aos meus pés, já a seco... mas afinal quando dou um toque de ponteira, levo duas trolitadas valentes e a ponteira quase que bate na rocha graças a um belo robalo! Abri o drag para evitar ter dissabores com a cana e para tentar não perder o peixe que nem ferrado foi, e este levou logo uns metros de linha. Tinha de lhe tirar a linha que levou perigosamente para junto de outras rochas e assim fiz - trouxe-o novamente para junto de mim e com a juda de uma onda ergui-o aos meus pés. A meio do curto "voo" desferrou-se mas, felizmente, já a seco e sem chances de se pirar.


A noite aproximava-se rapida e perigosamente para quem tinha de nadar até à areia com a maré já a encher, mas combinamos fazer mais 5 lançamentos da praxe.O Cuco perdeu o vinil dele antes dos 5 tiros finais, mas pode confirmar em directo o que já tinha acontecido com o peixe anterior - um ataque aos meus pés, mas desta vez ferrado eficazmente. Foi o meu maior peixe, ali aos pés, embora mais pequeno que o do Cuco, pescado a seco! Impressionante e electrizante a pancada ali tão perto de nós com tão pouca linha a separar-nos da amostra e do peixe!


Ainda fiz 5 lançamentos suplementares e emprestei a minha cana ao Cuco para os 5 dele, sem mais escama. Mesmo assim, viemos embora com a sensação que se insistissemos mais íamos continuar a dar neles, mas outros valores se sobrepuseram.



Magnífico fim de tarde de pesca!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Dedica-te aos polvos, gradeiro!

Eram 6 da manhã e lá íamos nós a nado, numa água bem fresquinha e com força, rumo ao hotspot. Os primeiros raios de luz irromperam no horizonte e continuávamos a seco. O Urubu tinha acabado de perder uma amostra quando me viro para ele e lhe dou sinal do primeiro toque que tinha sentido, sem conseguir ferrar. No lançamento seguinte, novo ataque (linha tensa e amostra a trabalhar com a força da onda, sem corricar) e ferragem, com o peixe a dar duas toladas e a largar segundos depois. Já estava a ficar lixado e exclamei para o Urubu: "Dois lançamentos, dois ataques e tocos! Já estou a ficar lixado"! À terceira foi de vez: lançamento, ferragem e peixe a seco. Estava a ver que não!...


Guardei o robalo e fui fazer o nó do terminal na cana do Urubu para que ele não desse tréguas com a minha cana ensinada (LOL) - acreditei que se tratasse de um cardume de robalos de passagem.
Infelizmente, até ao fim da manhã, não sentimos mais escama. O Urubu ainda chegou a dizer que os 3 toques que levei nos três lançamentos seguidos tivessem sido do mesmo robalo, mas quero acreditar que foi mesmo um cardume que por ali passou e que reencontraremos numa próxima visita ao local.
Ao vir embora, o Urubu ainda safou a grade com um polvo que sacou de uma fenda nas rochas pelo que lhe deixo um conselho: Dedica-te aos polvos, gradeiro! Ahahahahahah!



Ao almoço, fui convidado para um churrasquinho na casa da minha irmã e cunhado Xinante Atmosférico. Aceitei de imediato o convite, na condição de levar o robalo recém-pescado para comer escaladinho. Até estalou! Divinal!